Sexta, 15 Agosto 2014 19:26

Estudantes falam sobre experiências escolares e questionam sistema de ensino

Mesmo com opiniões diferentes, em uma coisa todos concordam: independente da faixa etária, o estudo é sempre importante

O dia 11 de agosto é dedicado aos estudantes, o estudo é uma reivindicação antiga das camadas populares e essencial para o mercado de trabalho hoje. Praticamente todos reconhecem a importância do aprendizado escolar para a vida, mas alguns questionam o sistema atual de ensino.
“Agarrem com todas as forças a oportunidade de estudar, pois quanto mais o tempo passa, mais difícil fica para tu entender as coisas que giram a tua volta”.
A família Rodrigues é um exemplo de como o aperfeiçoamento profissional é cada vez mais importante no mundo atual. Telvia Araújo, 51 anos e o marido, Valdir Araújo 54, voltaram a estudar este ano. Os dois haviam completado o Ensino Médio ainda adolescentes, e após a formatura dos filhos na Universidade, eles decidiram recomeçar a vida escolar. Ela está cursando pedagogia e ele educação física. “Eu parei de estudar porque na minha época não havia tantas oportunidades como hoje. Logo vieram os filhos, priorizei os estudos deles, e agora decidi retornar a sala de aula”, afirma Telvia.
Telvia conta que notou algumas novidades no ensino desde que deixou os livros, como o uso contínuo de portais na internet na assimilação do conteúdo, mas também destaca a forma de dar aula, que está mais dinâmica e possibilitando o diálogo entre estudantes e professores. Aos estudantes de hoje a universitária deixa um recado. “Agarrem com todas as forças a oportunidade de estudar, pois quanto mais o tempo passa, mais difícil fica para tu entender as coisas que giram a tua volta”.
O filho de Telvia, Valdir Araújo Junior, ouviu os conselhos da mãe e agarrou a oportunidade, ele se formou este ano em Administração e fala sobre essa trajetória. “Foi difícil, pois é bem complicado trabalhar e estudar, mas vejo como um investimento em mim, pois me tornei um profissional muito melhor”.
Valdir conta que teve dificuldades na faculdade no início, pois acredita que o Ensino Médio não prepare o aluno para o ensino superior de forma eficaz, ainda assim, ele superou os obstáculos e hoje está feliz com a sua profissão. “Gosto muito do que faço, minha área me dá muitas possibilidades, posso fazer consultorias, trabalhar com gestão e ainda ter um cargo administrativo dentro de uma empresa”.
“Foi difícil, pois é bem complicado trabalhar e estudar, mas vejo como um investimento em mim, pois me tornei um profissional muito melhor”.
Apesar de hoje estar realizado em sua área, na adolescência ele teve muitas dúvidas sobre qual profissão seguir, e só se decidiu após fazer um curso técnico com 24 anos. Hoje, o administrador questiona a obrigação imposta pela sociedade dos adolescentes recém saídos do Ensino Médio terem de escolher qual profissão seguir. “Acho que com 18 anos a pessoa ainda não sabe o que quer, essa é uma grande responsabilidade”.
Em contrapartida, os pais de Valdir, após os 50 anos, estão seguros na profissão que escolheram e o filho apóia a decisão dos pais. “Fiquei muito feliz, pois acho que meus pais se inspiraram em mim e na minha irmã, pois nós conseguimos nos formar na Universidade, e como eles me ajudaram no passado, hoje, eu farei o possível para que eles possam completar o curso”.
Apesar de alguns exemplos de superação, nem todos estão felizes com a vida escolar, como o neto de Telvia que entrou na primeira série em 2014, Lorenzo tem 6 anos, e para ele a parte interessante da escola é a educação física, a informática, o recreio e a hora de ir embora. O pequeno estudante não gosta de fazer o dever de casa, mas, está contende por aprender a ler e já conseguir procurar coisas na internet sozinho.
“Para mim está tudo errado. Para começar, somos obrigados a ficar em sala de aula, quando fazemos algo por obrigação se torna chato”
A adolescente D. A. 17 anos, compartilha com a visão de Lorenzo, ela está no 2º ano do Ensino Médio, também gosta da educação física e da informática e admite a importância dos estudos na vida adulta, mas acredita que os conteúdos poderiam ser passados de outra forma. “Para mim está tudo errado. Para começar, somos obrigados a ficar em sala de aula, quando fazemos algo por obrigação se torna chato”, afirma a aluna, que ainda completa. “Tudo o que vemos em sala de aula é distante da nossa realidade. Não sei onde na vida eu usarei coisas como a fórmula de báscara e o teorema de Pitágoras, por exemplo? E por que as aulas não são dadas nas praças? Aquela sala fechada não colabora em nada”.
D. A. também questiona a postura dos professores em sala de aula. “Parece que eles são os donos da verdade, acho sim que eles tem muito a ensinar, mas também tem a aprender com a gente e com a vida. Talvez falte essa troca. Sei lá, essa é só a minha opinião”.

 

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