Sexta, 22 Agosto 2014 19:12

Moradores reivindicam que resíduos sólidos sejam tratados por cooperativa

Vice-prefeito afirma que Administração Municipal não possui recursos para este investimento no momento

Tramandaí não possui mais Central de Entulhos, e os resíduos sólidos se tornaram um problema para todos, inclusive, para quem vive do lixo. A solução apresentada pela Administração Municipal é abrir espaço para que uma instituição entre com o recurso necessário para que possa ser feita a reciclagem dos materiais que hoje estão espalhados pelas ruas do município. No entanto, a proposta de um grupo de moradores do bairro Parque dos Presidentes é que o poder público invista na construção de uma cooperativa, o que resolveria não só o problema do lixo, mas também geraria emprego e renda para a comunidade.
“Fico muito triste, pois vejo locais que poderiam ser lindos, poderia ter a natureza, flores plantadas, mas está coberto de entulhos”
A moradora do bairro Parque dos Presidentes (antigo Agual), Cleri de Souza trabalha como catadora reciclando os materiais que as pessoas jogam no lixo há 5 anos, ela conta consegue aproveitar tecidos, roupas velhas, sapatos, botão de roupas, garrafas pets, latas, e transforma em mercadorias. “As possibilidades são infinitas, dá para aproveitar e fazer muita coisa com o que as pessoas jogam fora”, ressalta. Parte do trabalho de Cleri é vendido e a outra é doada para famílias em vulnerabilidade social.
“Me sentiria gratificada trabalhando em uma cooperativa, pois seria a união de várias pessoas atuando, não para o lucro de uma empresa, mas para um objetivo maior”
A catadora é consciente e se espanta com a situação em que se encontra o município hoje. “Fico muito triste, pois vejo locais que poderiam ser lindos, poderia ter a natureza, flores plantadas, mas está coberto de entulhos”, lamenta.
Cleri conta que os moradores do bairro Parque dos Presidentes apresentaram no final do ano passado uma proposta para a Administração Municipal de Tramandaí para resolver essa questão. A comunidade conversou com o prefeito Edegar Rapaki, e o vice Clayton Ramos e disseram que gostariam de criar uma cooperativa no bairro para limpar a cidade, o que ainda geraria renda às famílias o ano inteiro. “Me sentiria gratificada trabalhando em uma cooperativa, pois seria a união de várias pessoas atuando, não para o lucro de uma empresa, mas para um objetivo maior de limpar a cidade, e com o produto do nosso trabalho sustentaríamos nossas famílias. Trabalharia com orgulho”.
“A estimativa é que a empresa invista cerca de 1,5 milhões para dar início aos trabalhos e nós, hoje, não temos esse dinheiro”
As ideias de Cleri, no entanto, ao menos em um primeiro momento, não vão de encontro com as possibilidades da Administração Municipal. O vice-prefeito Clayton Ramos explica que a Prefeitura optou por abrir licitação para contratar uma Instituição (seja ela cooperativa ou empresa privada) justamente porque não possui recursos para investir na aquisição dos equipamentos para dar o destino correto aos resíduos sólidos. “A estimativa é que a empresa invista cerca de 1,5 milhões para dar início aos trabalhos e nós, hoje, não temos esse dinheiro”, afirma o vice, que ainda completa. “A Fepam exige diversas adequações ao galpão de trabalho, por exemplo, que deixa a obra mais cara. Além disso, os equipamentos para transformar materiais como os tijolos em matéria-prima são caros”.
O secretário de Meio Ambiente Milton Haack enfatiza que a questão dos resíduos sólidos precisa ser resolvida de forma urgente e que demandaria tempo para a construção de uma cooperativa. “No dia 28 de janeiro de 2013 eu pedi a licença para a Fepam para a instalação da nova Central de Entulhos na Estância e a autorização só chegou no final de maio deste ano. Eu precisava desse documento para poder elaborar o projeto para chamamento das instituições para a licitação”, afirma o secretário que ainda completa. “Hoje Tramandaí não tem nenhum lugar para por os resíduos sólidos, por isso, temos pressa”.
“Acreditamos que se tivermos um apoio para registrar a cooperativa nós teremos o restante, pois temos mão-de-obra qualificada, galpão cedido, prensa e tudo com parceiros cooperativados”
Contudo, o vice-prefeito se colocou a disposição da comunidade para ouvir e participar do processo de formação para uma cooperativa para atuar nos eco-pontos que devem ser construídos no município em um segundo momento. “Os eco-pontos serão destinados aos pequenos geradores, ou seja, as pessoas que desejam se desfazer de um móvel ou estejam realizando uma pequena obra, poderíamos organizar uma cooperativa para cuidar dessa tarefa, mas nada está decidido, estamos abertos a possibilidades, me coloco a disposição para ouvir qualquer proposta da comunidade”.
A representante do MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Rosemari Fiuza, enfatiza que a comunidade já está trabalhando para a formação desta cooperativa, que faltaria apenas vontade política. “Acreditamos que se tivermos um apoio para registrar a cooperativa nós teremos o restante, pois temos mão-de-obra qualificada, galpão cedido, prensa e tudo com parceiros cooperativados. O fato é que se tivermos um sinal positivo, o resto providenciamos”.

 

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