Oficina contra o racismo reconta a história através da música
Sexta, 03 Outubro 2014 14:23

Oficina contra o racismo reconta a história através da música

 

 

Atividade abordou questões polêmicas que muitas vezes não são abordadas na escola

 

Tramandaí recebeu uma grande aula de cidadania e história, na tarde de segunda-feira (29), através da Oficina sobre Igualdade Social ‘Contando a Verdade, Cantando a História’, realizada pelo Grupo Temático Pedagógico Ponto Z em parceria com a Associação Cultural José Martí de Porto Alegre. O Grupo veio ao Litoral, a convite da Secretaria de Segurança, Trânsito e Direitos Humanos.

Através de composições próprias e de forma lúdica, o grupo Temático e Pedagógico Ponto Z, tratou questões fundamentais, que muitas vezes acabam não sendo debatidas no ambiente escolar e familiar. O professor Waldemar Pernambuco, foi o principal orador da atividade, ele lembrou que “a história sempre é contada pelos vencedores”, dessa forma, é normal ser destorcida em alguns pontos, fazendo referência a visão eurocêntrica de mundo. Um dos fatos abordados foram as descobertas arqueológicas atuais as quais dizem que o primeiro ser humano nasceu no Continente Africano, e não no Europeu, como ainda é visto em alguns livros de História. Dessa forma, a África que já foi tão explorada e ainda hoje é discriminada passa a ser vista como ‘o berço da humanidade’.

Outra questão importante é em relação à escravidão dos índios e negros, mostrando que os primeiros já moravam no Brasil e eram os reais donos das terras, e os últimos foram capturados do Continente Africano, sendo importante ressaltar que diferente do que diz em alguns livros de História, os negros foram escravizados de forma violenta e nunca aceitaram essa condição. Sendo inclusive organizados Quilombos que serviam de refúgio para aqueles que lutavam bravamente e conseguiam escapar das senzalas.

O professor Pernambuco salientou também que ainda hoje há locais onde é possível reviver a cultura africana, que são chamados de Quilombos Urbanos, tais como, as rodas de capoeira, casas de religião e escolas de samba.

Durante o encontro, as músicas também denunciaram o individualismo exacerbado proporcionado pelo sistema capitalista. Em trechos como ‘Do capitalismo anti-humano prevejo em breve a destruição, Dos Quilombos Urbanos surgirá à redenção’, ressaltando a importância desses espaços culturais ainda hoje.

Para mostrar como entender o passado é importante para se construir um futuro mais justo, foi ainda apresentado as Bandeiras de Luta do Movimento Negro nos dias atuais, que reivindicam entre outras questões, o acesso à terra, através da legitimação e posse das terras quilombolas, lembrando que os negros escravos eram impedidos de comprar qualquer terreno; Fomento e incentivo às políticas educacionais, pois a educação por muitas gerações foi negada aos negros; Emprego e renda, pois, ainda hoje há preconceito com os negros no mercado de trabalho; Respeito as raízes históricas, culturais e religiosas; Leis de inclusão social e Cotas nas Universidades. As duas últimas reivindicações são explicadas na música Desajuste Social, que mostra porque as leis de diferenciação são fundamentais, para que todos possam ter uma vida digna. ‘Todos iguais, vamos julgar perante a lei é o que proclama a nossa Constituição, mas que justiça pode haver ao se julgar com a mesma lei o operário e o patrão. A injustiça de julgar todos iguais privilegia os detentores do poder. Que vão criando armadilhas, novas leis. As quais impedem nosso povo de crescer?’  No final do encontro aconteceu ainda um debate sobre todas as questões que foram tratadas no encontro.

Todas as escolas Municipais e Estaduais foram convidadas para a Oficina, participaram do encontro as escolas: cinco escolas municipais, a Escola Estadual Almirante Tamandaré e O Instituto Estadual de Educação Barão de Tramandaí, além de presenças da comunidade. 

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