Sexta, 31 Outubro 2014 11:38

Donas de casa falam sobre batalha diária

 

 

Elas nunca têm folga, não descansam nem nos finais de semana e nos feriados. Quem são essas mulheres, capazes de trabalhar praticamente 24h por dia?

 

Lavar, passar, cozinhar, arrumar a casa, sem direito à remuneração, folga nos feriados ou final de semana, nem ao menos licença saúde e maternidade. Estamos relatando uma situação de trabalho escravo? Não, estamos apenas citando a rotina das donas de casa, que trabalham exaustivamente todos os dias e ainda conseguem manter o bom humor e ajudar o próximo. Dia 31 de outubro é dedicado a essas guerreiras da vida real, que precisam se ‘virar em dez’ para garantir o seu sustento e o bem estar das pessoas que amam.

Tatiana Cezar, 32 anos, moradora de Imbé é viúva, mãe de dois filhos, o Giovanni de 5 anos e o Thomas de 10, vivendo de uma pensão deixada pelo falecido marido, Tatiana é a responsável por cuidar das crianças, dos afazeres casa, fazer a comida e prover todas as tarefas domésticas. A mãe da dona de casa, Berenice, 59 anos, também mora com a família e ajuda sempre que pode, porém, problemas de saúde como pressão alta, a impossibilitam de colaborar mais. “A mãe ajuda muito mais do que deveria, ainda assim, o serviço pesado mesmo, não tem jeito, recai sobre mim”.

Tatiana acorda todos os dias às 8h, levanta, e já vai cuidar dos afazeres domésticos, arrumar a casa, lavar a roupa, preparar o café da manhã dos filhos, e pensar no almoço. “Tenho que ser criativa, pois sabe como são as crianças, não gostam de comer a mesma comida todos os dias, muito menos os legumes e saladas que são tão importantes”, afirma.

“Tenho que ser criativa, pois sabe como são as crianças, não gostam de comer a mesma comida todos os dias, muito menos os legumes e saladas que são tão importantes”

Após o almoço, a rotina de Tatiana fica ainda ‘mais pesada’, é preciso estender a roupa, ‘ajeitar’ a casa, lavar a louça e quando ela percebe já está na hora de buscar as crianças na escola e preparar o jantar. Depois é hora da dona de casa trocar a vassoura, pelos livros, pois, este ano, Tatiana decidiu voltar a estudar e está cursando o EJA – Ensino para Jovens e Adultos. “Minha mãe cuida das crianças enquanto eu vou para escola. Em casa, não tenho nenhum tempo para mim, nem durante os finais de semana. Já faço os deveres de casa em sala de aula em função da falta de tempo”, explica.

Tatiana na semana passada passou por uma cirurgia, mas nem o estado de saúde a poupou do trabalho doméstico. “Em casa sempre tem muito serviço para fazer”, lamenta.

A também moradora de Imbé, Raimunda Eliane de Souza, 39 anos, tem dois filhos um menino de 18 anos e a menina de 1 ano e sete meses. Mãe solteira, ela mantém a família com o seu trabalho como caixa registradora de uma farmácia. A vida para ela é ainda mais difícil. Eliane (como prefere ser chamada) acorda as 5h30 todos os dias, prepara a mamadeira do bebê, o café para ela e o filho, leva a pequena na creche, volta para casa, lava a roupa, varre, passa, cozinha e vai trabalhar. São apenas 9h, o dia vai ser longo. No trabalho o dia segue ‘pesado’, quando chega em casa, já é noite. Hora de descansar, certo? Errado, agora começa a dupla jornada, é preciso estender a roupa, tornar a arrumar a casa, dar banho no bebê, lavar a louça, dobrar as vestimentas. Quando ela percebe já é de madrugada. Momento de recuperar as energias para o dia seguinte. “Não tenho tempo para nada, até gosto de ir trabalhar, porque aqui em casa o serviço é ‘mais puxado’ do que na empresa em que trabalho”, admite Eliane.

“Não tenho tempo para nada, até gosto de ir trabalhar, porque aqui em casa o serviço é ‘mais puxado’ do que na empresa em que trabalho”

A história de Tatiana e Eliane é o reflexo da rotina de milhares de mulheres do Brasil e do mundo, situação que seria amenizada se serviços como a creche e escola pública, fossem estendidos para também restaurantes e lavanderias comunitárias. “Nossa, se as donas de casa pudessem contar com este serviço seria excelente. Gostaria que a creche também atendesse depois das 17h30 e durante os finais de semana, facilitaria bastante”, comenta Eliane, Tatiana ainda completa. “Isso seria perfeito, o ideal, mas é tão distante da realidade que até parece sonho”. 

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