Detentos recuperam alto-estima através da música
Sexta, 31 Outubro 2014 15:54

Detentos recuperam alto-estima através da música

 

Cantando músicas famosas da MPB apenados encantam colegas de cela e profissionais da Penitenciária Modulada de Osório

 

Com a visão de que o sistema prisional deve reintegrar os apenados à sociedade, há cerca de dois meses, a direção da Penitenciária Modulada de Osório, com o apoio de assistentes sociais e agentes penitenciários, deu a oportunidade há cinco detentos de formarem uma banda. O projeto vem se consolidando, e hoje, os rapazes já fazem apresentações para os colegas e profissionais da Instituição.

O grupo chamado de Renascer, por resgatar a auto-estima e esperança dos detentos, surgiu por iniciativa do apenado, Salve Junior Mello, 34 anos, ele conta que sempre teve a ideia de formar uma banda, mas nunca viu essa oportunidade.

Atenta à vontade do rapaz, a assistente social Kadija Taha, conversou com o diretor da penitenciária, Peter Percoski, com o vice-diretor Loivo Lima Machado e com o advogado Fábio de Mello e em conjunto o projeto foi sendo construído, em parceria com o Conselho da Comunidade. A banda ensaia duas horas por semana, nas segundas-feiras, as músicas escolhidas são ligadas a MPB. O grupo já encanta quem escuta. “Essas pessoas estão aqui para serem reintegradas a sociedade, e a banda é mais um forte estímulo para eles. Todos estão de parabéns. Este é um trabalho conjunto, nada aconteceria se não fosse à vontade dos apenados, a colaboração da direção, dos agentes penitenciários, do advogado Machado e o apoio do Conselho da Comunidade”, afirma Kadja.

“Essas pessoas estão aqui para serem reintegradas a sociedade, e a banda é mais um forte estímulo para eles”

Músico desde a adolescência, o apenado Mello acabou fazendo ações das quais não se orgulha, porém, acredita que sua ida para a Penitenciária tenha sido um passo importante para o seu crescimento. “Estou feliz hoje por poder ajudar os meus amigos aqui dentro, por termos montado esse projeto, que é o nosso verdadeiro ‘céu’. E quando eu sair daqui, quero ainda voltar como voluntário para ajudar quem está passando por este momento tão difícil, ensinando eles a tocar teclado que é o que mais sei fazer. Quem sabe um dia não montamos uma orquestra”.

Mello ainda fala sobre a importância da banda para quem está preso. “A música é o meio de transporte mais fantástico, pois nos faz voltar no tempo. É através dela que conseguimos recordar momentos de nossas vidas, independente dos anos que passaram, ou de onde estamos, podemos ter os mesmos sentimentos da época”.

“A música é o meio de transporte mais fantástico, pois nos faz voltar no tempo”

O detento Roberto Carlos de Oliveira, 44 anos, está preso há 4, ele conta que quando chegou à Penitenciária Modulada de Osório pensou que sua vida havia acabado, porém, como tocava violão há muitos anos, acabou entrando na banda. “Estou renascendo das cinzas. Só tenho a agradecer a todos que tornaram o projeto possível”, ressalta Oliveira. Francisco de Assis Fernandes, 58 anos, preso há dois anos e quatro meses, deve voltar às ruas no ano que vem. Ele é um dos cantores e explica como o projeto mudou a sua vida. “Hoje estou muito feliz, quando estou cantando esqueço o sofrimento”.

“Estou renascendo das cinzas. Só tenho a agradecer a todos que tornaram o projeto possível”

O Detento Alisson Reck, 20 anos, está preso há 1 ano e nove meses, e deve ser libertado em 2016. Segundo ele, o projeto é uma, “porta que se abre para um mundo novo, distante da realidade enfrentada diariamente”, por isso, Reck, que também canta, só tem a agradecer. “A banda hoje é tudo para nós, muito obrigada à direção da penitenciária, a Kadja, aos agentes penitenciários, a todos”. 

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