Terça, 30 Dezembro 2014 11:09

Cresce o número de pessoas em vulnerabilidade social em Tramandaí

 

 

Justiça pede que Administração Municipal entre em contato com as famílias, e mande indivíduos de volta para cidade de origem

 

Tramandaí possui diversos pontos espalhados pela cidade, onde vivem pessoas em situação de rua, entre eles, está à sede do antigo Correio, localizada em frente ao Instituto Barão, uma área, que não está cumprindo com sua função social, por isso, o ponto acabou servindo de abrigo para quem não tem onde morar. De acordo com dados do CREAS – Centro de Referência Especializado em Assistência Social, de outubro a dezembro deste ano, 85 indivíduos em vulnerabilidade, procuraram atendimento no Centro.  Destes, apenas quatro eram moradores de Tramandaí, todos homens com mais de 35 anos.

O juiz da 2ª Vara Criminal da Comarca de Tramandaí, Emerson Silveira Mota, entende que no momento em que as pessoas estão em situação de rua, elas passam a ser um risco para si e para os outros, de forma que, por não possuírem trabalho, acabam sendo obrigadas a pedir esmolas, ou cometerem pequenos furtos para conseguirem se alimentar. Preocupado com o crescimento no número de desabrigados na cidade, Mota, convocou recentemente, as principais autoridades do Município e explicou que a Administração Municipal tem judicialmente dois caminhos para dar suporte às pessoas em vulnerabilidade social. Criar um albergue ou entrar em contato com as famílias, fazer o primeiro contato e encaminhar àqueles que estão desprovidos de recursos de volta às cidades de origem.

Com os dados do CREAS, é possível ter uma base das principais características das pessoas que dormem nas ruas da cidade. O coordenador do Centro, Thiago Bolzan diz, que a maioria são homens, pois apenas três mulheres procuraram atendimento no Centro. Destes, há um grupo de senhores, com mais de 50 anos, uma pequena quantidade de homens com idade entre 30 e quarenta anos, e um grande número de jovens na faixa dos 18 aos 25 anos.

No Centro, as pessoas em situação de rua recebem um lanche que é distribuído três vezes por semana, podem tomar banho, e trocar experiências de vida. Ali, também está sendo realizada a segunda alternativa, citada pelo juiz Mota, ou seja, o contato com as famílias e encaminhamento dos indivíduos para a cidade de origem.

Segundo informações recolhidas nas ‘rodas de conversas’ do CREAS, muitas pessoas que hoje vivem nas ruas, vieram para Tramandaí na esperança de conseguir um emprego melhor. “Eles vem com algum dinheiro, alugam um quarto numa pensão, o recurso acaba, e eles ficam sem ter como se sustentar, e sem conseguir voltar para a cidade Natal”, explica Bolzan.

Outro motivo que leva muitos a viverem nas ruas é o vício em drogas e álcool. “Poucos falam sobre isso, aqui dentro são muito educados, e nunca tivemos qualquer transtorno, mas sabemos que este é um problema de muitas pessoas em situação de rua”, relata o coordenador.

De outubro a novembro 29 pessoas que dormiam nas ruas de Tramandaí foram encaminhadas para sua cidade de origem. “Eles precisam apenas manifestar o desejo de que realmente quererem deixar o município, e nós entramos em contato com familiares e providenciamos a passagem de volta”, diz Bolzan.

Porém, segundo o juiz Mota, cabe a Administração Municipal, independente da vontade da pessoa em vulnerabilidade social, entrar em contato com as famílias, e explicar a situação em que o indivíduo se encontra, tentando proporcionar um encontro. “Ninguém em sã consciência quer morar nas ruas. Se meu pai estivesse em vulnerabilidade social à responsabilidade seria minha, assim é com todos. Cabe ao Município fazer este contato, entre os familiares e a pessoa que está vivendo nas ruas, para que haja a reaproximação, e o mesmo deixe de ser um risco para si e para os outros. Acredito que este trabalho, hoje, está sendo realizado”.

A nossa reportagem durante toda a semana, tentou estabelecer contato com as pessoas que estão morando em frente ao antigo prédio dos Correios, fomos ao local em diferentes horas do dia, e encontramos a seguinte situação, ou não havia ninguém, ou os ocupantes estavam dormindo. 

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Banner Lateral Claro

Banner Agafarma
Banneronplay
ENDEREÇO: TELEFONES: E-MAILS: Desenvolvido por
Rua Siqueira Campos, 432
Tramandaí - RS
51. 3684.3033
51. 3661.3505
 redacao@jornaldimensao.com.br