Segunda, 04 Maio 2015 13:12

Apenados são homenageados no Dia do Trabalho

 

 

Detentos atuam na prisão preparando a comida, mantendo o local limpo, cuidando da horta, organizando a biblioteca e fazendo tapetes artesanais

 

Na terça-feira (28), os apenados do regime semi-aberto da Penitenciária Modulada de Osório receberam uma homenagem pelo Dia do Trabalho que é comemorado em todo mundo no dia 1º de maio. Dos 138 detentos, 70 praticam alguma atividade, dentro ou fora da prisão.

Segundo o coordenador do regime semi-aberto, Elton Almeida, 22 apenados tem serviços remunerados fora da prisão, 13 em uma empresa parceira da Penitenciária, que já procura a mão-de-obra dos detentos, estes cumprem funções dentro dos serviços gerais. Nove apenados conseguiram emprego sem a ajuda da direção da Modulada. Todos os presos tem carteira assinada e os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador. Há também 48 detentos que fazem os serviços internos da prisão, incluindo, limpeza das celas, cozinha dos apenados e funcionários da Penitenciária, cultivo da horta, organização da biblioteca e ainda o artesanato.

Cada três dias trabalhados do apenado equivalem a um dia a menos cumprindo a pena. O Governo do Estado disponibiliza verba para a compra dos materiais. E os detentos tem direito a pelo menos um dia na semana de descanso.

Para celebrar a data, o frei Romildo Breda foi até a Penitenciária, deu a benção a todos e fez um discurso lembrando os reais motivos da comemoração. O frei lembrou como o início da industrialização foi cruel com os trabalhadores, pois os donos das fábricas obrigavam os operários a trabalharem sem descanso, por salários extremamente baixos, e não havia qualquer direito garantido. Após, Breda lembrou ainda a greve geral que aconteceu em Chicago/EUA em 1886, que pedia a redução da jornada de trabalho de 13h para 8h. A manifestação foi reprimida de forma violenta pelos policiais, o que resultou na morte de quinze manifestantes. Para finalizar o Frei afirmou ter conhecimento o quanto a vida pode ser rigorosa, principalmente pela dificuldade de arrumar emprego, após deixar a prisão, mas pediu para os detentos jamais perderem a fé.

A assistente social kadija Taha, que participa do projeto que visa reintegrar os presos a sociedade, agradeceu muito a boa vontade e a disposição de cada apenado, que realiza seu trabalho sempre com muito capricho e carinho e lembrou que o 1º de maio é a cima de tudo um dia de luta. “Tudo na vida da gente é feito de lutas e conquistas. Hoje, vocês são os homenageados, pois estão lutando para ter uma vida melhor, nunca deixem de lutar. Assim como os trabalhadores de Chicago, lembrados pelo frei, eles não desistiram e tiverem sua conquista”.

O apenado Eitor de Jesus, é um dos responsáveis por preparar as refeições na penitenciária, ele ficou no regime fechado durante um ano e dois meses,e há um mês foi para o semi-aberto e só pensa em ter uma vida melhor. “Eu cheguei no semi-aberto e logo já quis trabalhar, para ocupar a cabeça e também para sair mais rápido da prisão e poder começar de novo, ter uma vida melhor lá fora”, disse.

O apenado Edson Luis está no regime semi-aberto há 9 meses, hoje ele também ajuda na cozinha, e está quase deixando o regime prisional. “Aqui eu aprendi a cozinhar melhor, gosto do trabalho, mas não vejo a hora de sair da prisão e voltar ao meu ofício de jardineiro, agora falta pouco, só mais alguns meses”, revelou.

O encontro ainda contou com a apresentação da banda Renascer, e coma distribuição de bolo e refrigerantes fornecidos pela Igreja Católica. Os homenageados receberam ainda quites de higiene pessoal, doados pelo Conselho da Comunidade de Osório. 

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