Sábado, 04 Julho 2015 13:13

Servidores da UFRGS suspenderam aulas em apoio a Greve Nacional

Na sexta-feira (26), os portões do Campus Litoral foram fechados e as aulas voltaram ao normal na segunda-feira (9)

 

Os 160 mil servidores das 65 Universidades Federais do país estão em greve desde o dia 28 de maio. Nessa sexta-feira (26), o Campus Litoral Norte suspendeu as atividades em apoio ao movimento nacional e também apontando reivindicações próprias do que precisa ser melhorado na Unidade.

Os representantes do Assufrgs – Associação dos Servidores da Universidade UFRGS – (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFCSPA – (Universidade Federal de Ciências da Saúde) e IFRS-POA – (Instituto Federal de Educação Ciências e Tecnologia do RS) chegaram ao Campus Litoral com os primeiros raios de sol, as aulas nesse dia foram paralisadas, para que a categoria pudesse ter um diálogo maior com a comunidade.

“Esse ano a inflação foi de 9%, com 5,5% de aumento, não teremos nem a reposição salarial deste ano, e essa proposta também não recupera a perda que tivemos desde 2011”

De acordo com o representante do Assufrgs, que faz parte do Comando Local da greve, Charles Almeida, as principais reivindicações dos trabalhadores são: a reposição salarial de 27,3% referente aos anos de 2011 a 2016, pois, o aumento dos servidores foi abaixo da inflação nesses períodos. Almeida explica que a reivindicação une também o próximo ano, pois a Lei Orçamentária anual será decidida no dia 21 de agosto, por isso, para a categoria ter a reposição da inflação em 2016, é preciso que esse cálculo entre no orçamento do Governo Federal ainda este ano. A primeira proposta de negociação do Governo Federal aconteceu nessa quinta-feira (26), eles ofereceram um pacote de aumento plurianual com índice decrescido, ou seja, 5,5% de aumento em 2016, 5% de aumento em 2017, 4,75% de aumento e 4,5% de aumento em 2019, no entanto, a proposta não satisfaz a categoria, pois os números estão abaixo da inflação hoje. “Esse ano a inflação foi de 9%, com 5,5% de aumento, não teremos nem a reposição salarial deste ano, e essa proposta também não recupera a perda que tivemos desde 2011. No entanto, acreditamos que o início de diálogo com o Governo Federal é uma vitória da categoria, mas é impossível aceitarmos essa proposta”.

Outra reivindicação dos servidores em relação a questão salarial é a criação de uma Data Base, que estipularia um dia do ano para que o Governo Federal dialogasse com a categoria, propondo um reajuste salarial, pois, hoje, o Artigo 37 da constituição que regulamenta a situação dos servidores não obriga os governos a fazerem a reposição salarial. “Esse é um problema de todos os servidores, se tivéssemos essa data base, o Governo teria que apresentar em determinada data do ano, ao menos uma proposta de aumento salarial igual a inflação do período”.

A categoria também apresenta reivindicações de viés político se posicionando contrária a terceirização, que é muito forte nas universidades, principalmente em relação aos funcionários da limpeza, que apresentam condições de trabalho inferior em relação aos concursados, com salários mais baixos e jornadas de trabalho ainda mais longas. Outra reivindicação de viés político é o posicionamento contrário ao ajuste fiscal feito pelo Governo Federal que cortou 9,4% bilhões da Educação, dessa forma, todas as obras de ampliação dos Campus das Universidades foram suspensas, e o dinheiro destinado ao custeio das empresas terceirizadas também não está mais sendo repassado, dessa forma, as Universidades não pagam as empresas, que repassam o prejuízo aos trabalhadores, atrasando os salários.

Campus Litoral

Uma das tendências da greve é que além de apoiar as reivindicações nacionais, os servidores de cada Campus, elejam pautas específicas, e não foi diferente com o Campus Litoral. De acordo com a assistente social, do Campus Litoral Norte da UFRGS, Fernanda Lanzarini, dos 49 servidores da Unidade, 19 aderiram à greve.

“Cerca de 30% dos professores trabalham no Campus e moram em outras cidades, eles saem para dar aula às 6h e chegam em casa às 20h, esse deslocamento estende ainda mais a jornada de trabalho. Se o expediente fosse reduzido teríamos profissionais mais motivados para atender os estudantes”

Lembrando que este movimento é de técnicos do ensino superior, ou seja, não engloba os professores da Universidade. Dessa forma, os servidores pedem jornada de trabalho de 30h, e não de 40h como ocorre hoje, a maioria dos Campus da UFRGS já aderem a jornada de 30h, e devido a realidade do Litoral, essa adequação na carga horária beneficiaria dos trabalhadores e até mesmo os alunos, explica Fernanda. “Cerca de 30% dos professores trabalham no Campus e moram em outras cidades, eles saem para dar aula as 6h e chegam em casa 20h, esse deslocamento estende ainda mais a jornada de trabalho. Se o expediente fosse reduzido teríamos profissionais mais motivados, para atender os estudantes”.

Outra reivindicação é a questão estrutural do Campus que hoje conta com cerca de 150 alunos e apenas duas salas de aula. As salas destinadas aos cerca de 50 servidores também fica lotada. “Se a jornada fosse de 30h até mesmo o espaço físico do Campus seria melhor aproveitado, pois não teríamos todos os profissionais ocupando o espaço ao mesmo tempo”, reivindica Fernanda.

A última pauta é em relação à falta de serviços ao redor do Campus, pois não há bancos, comércios, bares, restaurantes próximos a Universidade, e também em relação a construção de uma parada de ônibus pois os professores que se deslocam no sentido Tramandaí Osório ficam totalmente desprovidos de abrigo. “Nesse sentido entramos em contato com o Daer – Departamento Autônomo de Estragas e Rodagens e com a prefeito de Osório, esperamos o apoio da Universidade”. Os servidores também desejam que seja melhorado o acesso ao Campus, que não conta um retorno adequado. 

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