Segunda, 28 Março 2016 12:35

Portador do vírus HIV realiza trabalho voluntário em grupo de Tramandaí

A Experiência do morador ajuda a desmistificar o preconceito sobre a AIDS

 

O Grupo Terapêutico Conviver vem fazendo a diferença na vida das pessoas que adquiriram o vírus da AIDS. O espaço além de proporcionar um local seguro para que os integrantes conversem sobre a vida após o HIV, ainda ajuda a desmistificar o preconceito e atua na prevenção de DTS – Doenças Sexualmente Transmissíveis, formando multiplicadores de informação. Na última semana um dos integrantes do grupo, inclusive, participou de forma voluntária de uma ação da Equipe do Posto PAE – Serviços Municipal de DST/HIV - que aconteceu nos bairros Parque dos Presidentes, Jardim Atlântico e Portelinha. Na oportunidade foi possível contar com o ônibus lilás que foi emprestado pelo Conselho Municipal de Direitos as Mulheres.

Rubison Gonçalves Moreira, 47 anos é policial militar aposentado, ele descobriu que era soro positivo em 2011. Após o choque inicial e a adaptação ao tratamento, o morador de Tramandaí hoje leva uma vida normal e ajuda as pessoas voluntariamente a desmistificar o tatu que existe sobre a AIDS.

“Fomos muito bem recebidos em todos os bairros, só temos a agradecer por esse carinho da comunidade”

Moreira, é o líder do Grupo Conviver que existe há cerca de 1 ano e meio, e conta com a coordenação da psicóloga Paula Betina. Cerca de dez pessoas, hoje, integram o grupo, “não temos um número exato de integrantes porque deixamos as pessoas livres, ninguém é obrigado a participar, mas sempre que sentirem a necessidade de conversar e ouvir o outro estamos de braços abertos para fazer o acolhimento para as pessoas que tem o vírus HIV e também para seus familiares”, explica Paula.

Moreira diz que no grupo também são informados todos os direitos dos portadores de HIV incentivando sempre a permanecerem em tratamento e sempre se prevenirem contra doenças sexualmente transmissíveis. “Mesmo quem já é portador do vírus, se tiver relações sexuais sem o uso do preservativo com outra pessoa que também tenha Aids é possível nova contaminação o que agrava os sintomas da doença, por isso, e também para preservar o próximo que trabalhamos bastante com a prevenção”, explica Moreira.

“No início foi bem difícil a adaptação aos medicamentos, eu tinha diarréia, sonolência, mudanças de humor, mas hoje já estou adaptado ao tratamento, e o que mudou na verdade foi a maior preocupação com a saúde. Hoje tenho uma alimentação saudável e pratico exercícios regularmente”

O líder do grupo hoje leva uma vida normal, ele é viúvo e cuida das filhas de 9 e 13 anos. “Eu tenho uma rotina como de qualquer outra pessoa, acordo às 7h, cuido dos afazeres da casa, preparo o almoço para mim e as meninas, no final da tarde dou uma caminhada”, conta.

Ele diz ainda que possui uma vida social ativa e costuma sair para jantar com amigos e ir viajar para os balneários próximos frequentemente. “Não vou a bares e festas porque nunca tive esse hábito, hoje eu estou solteiro, mas também namoro como qualquer outra pessoa”.

A principal mudança na vida de Moreira após descobrir que tinha era portador do HIV foi ter começado a dar mais valor para a qualidade de vida. “No início foi bem difícil a adaptação aos medicamentos, eu tinha diarréia, sonolência, mudanças de humor, mas hoje já estou adaptado ao tratamento, e o que mudou na verdade foi a maior preocupação com a saúde. Hoje tenho uma alimentação saudável e pratico exercícios regularmente”.

“As pessoas se sentem fragilizadas, descriminadas por ser soro positivo, existe ainda muita falta de informação sobre a AIDS, e quando eu falo com elas  mostro que é possível ter uma vida saudável mesmo sendo portadores de HIV”

Para ajudar outros portadores de HIV, a se aceitarem, Moreira, além de liderar o grupo faz palestras pela cidade contando sua história e também auxilia a equipe do Posto PAE nas ações preventivas, como a que aconteceu na última semana, nos bairros Parque dos Presidentes, Jardim Atlântico e Portelinha. Na oportunidade, quem desejasse poderia fazer o teste rápido de sífilis e HIV, se o resultado fosse positivo para AIDS, a psicóloga dava a notícia inicialmente e em seguida Moreira era chamado para também conversar com a pessoa com o objetivo de amenizar o ‘choque’ inicial. “As pessoas se sentem fragilizadas, descriminadas por ser soro positivo, existe ainda muita falta de informação sobre a AIDS, e quando eu falo com elas  mostro que é possível ter uma vida saudável mesmo sendo portadores de HIV”, diz.

Durante as ações realizadas nos bairros foram feitos 64 testes rápidos que identificaram sete portadores de sífilis e um de HIV. A psicóloga aproveita a oportunidade para agradecer a acolhida da comunidade. “Fomos muito bem recebidos em todos os bairros, só temos a agradecer por esse carinho da comunidade”, conclui. 

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